Editora Cordel d’Prata
Colectânea poética, Volume 2
Auditório Ruy de Carvalho
Carnaxide
Participação:
MNEMOGRAFIAS: fragmentos da memória
Pesquisa por tema:
Editora Cordel d’Prata
Colectânea poética, Volume 2
Auditório Ruy de Carvalho
Carnaxide
Participação:
Luís Carvalho Barreira
“até as palavras deixarem de respirar”, 2025
performed by Gabriel Silve e Igor Fidelis
fashion designer:slastudio
Lisboa
Fotografia / Performance
arquivo: 20250720_NK4_5325
Annazul,
segura bem a palavra
com as duas mãos,
até que ela
deixe de respirar...
mnemografias @ LCB
Luis Carvalho Barreira
Grafias de Duas Ervilhas
serie: instantes trágicos
Fotografia / Poesia
arquivo: 2024_07_22_NK4_2157
POEMA
Duas ervilhas
Duas ervilhas gandaiam
em lavrado prato branco.
Uma é esguia e movediça
a outra é plácida e desocupada
pronta a ser degustada.
Ao dirimir do garfo
a inconstante ervilha
esguia-se
e não se deixa trespassar.
De investida em investida
o sedutor poeta
embriagado pela fantasia
teima em bandarilhar.
Exausto de tanto assédio
abandona-a ao pranto
desiste de a picotar...
Quanto à remanente ervilha
tinha o fado traçado
foi papada...
Luis Carvalho Barreira, ODE1O, 1991
Luís Carvalho Barreira
“odeio círculos concêntricos”, 2024
serie: palavras nuas
Fotografia
arquivo: 2024_05_22_LCB_05-683
círculos concêntricos
ODE1O círculos concêntricos.
Semblantes aros desfolhados
Quero acamar meu desejo
(entre parênteses)
Centrado em teu corpo nu
Ah, espera aí...
eu disse que detestava as formas concêntricas?
Não, nada disso!
Não devia estar concentrado!
A excentricidade está entre parênteses.
Luís Carvalho Barreira
Inês de Castro (Lusíadas), 2024
serie: palavras nuas
Fotografia
arquivo: 2024_06_28_LCB_06-820
Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saüdosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
Luís de Camões, Lusíadas [Canto III, CXX]
Luís Carvalho Barreira
Vidago, 1983
serie: “quando estas árvores se desnudam, descobrem as minhas raízes”
Fotografia
Gelatin Silver print
arquivo: 1983_FOLIO_013_4148
Outono
A simplicidade das palavras
são folhas caídas
sendas engelhadas
que o tempo tece
neste corpo levante.
Sorriste, neste caminho inexorável
para o ocaso.
Quero dissipar-me nas memórias
do teu regaço que nega tardar
perder-me nos teus seios primaveris
que as folhas de outono não tardarão recordar.
cravo vermelho, 2019
serie: 25 de Abril, 50 anos
Fotografia / Poema
arquivo: 2019_04_24_IMG_0869_25abril_poema
Olhai à vossa volta
embriagai-vos de verdade
cravos teremos sempre
pois vive em nós a Liberdade
Luís Carvalho Barreira
couve, 2024
Lisboa
Fotografia
arquivo: 2024_02_10_IMG_2605
De dia
sonho com couves-flores.
À noite
a Margarida faz-me pesadelos...
1988 @ anartchist
Luís Carvalho Barreira
Lisboa, 2024
A luz é a poesia da Natureza.
A Arte é o seu idioma.
Fotografia / Poema
arquivo: 2024_02_10_IMG_2608
1988 @ Luís Carvalho
Os artistas criam,
mas a Arte — essa — é obra dos Homens.
2017 @ anartchist
Livro: ODE1O
1992 @anartchist
1988 @ anartchist
“Partrilhar”
duas estradas divergem
no lúrido bosque
em adágios
sem nunca discordar
duas estradas perdidas
vagabundeiam
no telúrico enseio
sem nunca se encontrar
duas estradas vagueiam
sem tino
no meu corpo vazio
sem nunca pausar
duas estradas demoram
num corpo que era outro
sem rumo
sem nunca as escutar
duas estradas... duas estradas
existem no lamento
do meu coração
sem nunca as poder partrilhar
Luís Carvalho Barreira
“dias de chuva”, 2024
fotografia realizada para ilustrar o poema
Dias de chuva
Chovia…
Abrigo na memória
uma janela entreaberta,
o latido das gotas caídas,
seduzidas por letras
cantaroladas nas pontas dos dedos.
Nesses dias pardos
que ainda trago na boca...
Chovia...
Abri uma gaveta
de infância -
e não havia nada,
nada que me fizesse lembrar
a faceta de transgressor.
Chovia...
Desejos esses,
habitados em ímpetos silêncios,
de vaga mundos -
sem sair do regaço da minha mãe.
Chovia...
Vertiam-se aqueles beijos
em dia de branco chumbo,
dados com amor e paixão,
como as gotas escorridas,
ecoando melodias
no meu coração
[mãe]
2023 @ Luiz Carvalho
Luís Carvalho Barreira
etéreos pensamentos
deixa-me crescer dentro de ti…
Fotografia / Poesia
arquivo: 2023_09_30_IMG_6636
Luís Carvalho Barreira
serie: Figuras de Espanto
“julgamento de Páris”, 1995
Fotografia
Gelatin Silver Print
arquivo: 1995_FOLIO_203_12260_vs1
Lurdes de Jesus Carvalho [Mãe] 29.12.1933 - 27.07.2022
Preencho espaços ausentes,
deambulo por intervalos vazios,
perscruto sons
entre vários silêncios –
formas difusas de ti, mãe.
Desejos que não posso ter,
raízes que me prendem à terra,
mas que teimam
em separar-se de mim.
É todo um vazio…
um vazio a pedir preenchimento –
que só tu,
[mãe],
me soubeste dar.
Luís Carvalho Barreira
acorda
discorda
recorda
a corda
concorda
com corda
diz corda
corda…
anartchist, 1986
Luís Carvalho Barreira
Book in progress
Cálice, 2000
deixa-me beber o teu néctar
até ao último trago
e esqueçamos as torrentes
desse cálice